Arquivo

Posts Tagged ‘ficção’

Prata

agosto 9, 2011 Deixe um comentário
Adélia tinha um belo par de olhos verdes turmalina. Seu rosto branco, bochechudo era contornado por um belo cabelo, denso, liso, naturalmente avermelhado, que escorria para as costas e o colo farto, de seu corpo rechonchudinho. Suas sobrancelhas eram bem demarcadas e davam um ar que misturava o sensual com o formal. Ela era linda. Se vestia com elegância, batom, anéis, brincos grandes, mas nunca exagerados. Sempre bem perfumada, mas isto não era perceptível pelos carros que rodeavam seu Palio Prata. Tinha acabado de descer a Ponte Nova do Morumbi, seu carro apontava para a Roque Petroni Júnior.

Eis que ao seu lado esquerdo pára um C4, também prata. O motorista ouvia uma música qualquer, muito animada para o trânsito que enfrentava. Abaixou o som e também o vidro do passageiro. Arrancou os óculos e, claramente impressionado, não tirava os olhos dela.

Leia mais…

Categorias:Eu só quis dizer Tags:,

No Bar (parte 2)

junho 8, 2011 2 comentários

– Então, calma ai que eu preciso parar de rir.

– Vá se ferrar

– Tá. Põe a breja ai, vamo lá. Eu não tenho bem uma história, mas eu tenho uma fórmula.

– Qual é a idéia?

– É assim. Eu não tenho uma idéia de história. A idéia é a forma de contar a história. E ai eu pegaria Faroeste Caboclo

Leia mais…

Categorias:Eu só quis dizer Tags:

No Bar (parte 1)

cervejaNo bar, sábado à tarde

– eu acho que todo mundo tem essas idéias, sabe. Todo mundo tem idéias e acaba achando que é a pessoa mais inteligente do mundo.
– verdade.
– todo mundo é egocêntrico
– também acho. Mas para de enrolar ae, qual a sua idéia?
– eu fiquei imaginando assim. Pera ai. Garçon, traz mais uma, por favor? E manda também umas batatinhas aqui? Ae morrapaz. Eu gosto desse garçon, ele é gente fina.
– é, é bom

Leia mais…

Categorias:Eu só quis dizer Tags:

Dia de motoqueiro

agosto 19, 2009 1 comentário

Acordo com a boca seca, um gosto de cabo de guarda-chuva chinês da Chenson. Meu rádio relógio Philco-Ford tocava uma música muito ruim. Dei um tapa nele e o bixinho caiu de cima da caixa de Sabão em Pó Campeiro que eu uso de criado mudo, se espatifando. Foi minha bisa-avó que o deixou pra mim quando foi pro beleléu… tadinha, tá lá no Quarta Parada agora.

Coloco meu chinelo Havaianas, vou até a cozinha tomar um café Jardim e comer um pão Tico da Panco com margarina Mesa. To meio distraído, e o pão cai. Claro, né? Com a margarina virada pra baixo. Percebo que ainda estou com bafo da Pirassunga 51 que tomei ontem, minha mão está melada da Cascola que eu cheirei. Como isto veio parar aqui?

Tenho também alguns pingos do esmalte Colorama que também cheirei e distraidamente deixei cair.

É, ontem a noite foi brava.

Leia mais…

Categorias:Eu só quis dizer Tags: