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A Praça John Lennon

A praça John Lennon é um poste. Ao redor do poste, um gramado fofo e bem aparado. Ao redor do gramado, uma calçadinha. Ao redor da calçada, outro gramado, mas agora com bancos e árvores. Ela tem forma circular e deve ter uns 25m de diâmetro. Sim, eu acho, por que eu não sei medir com os olhos, coisa que nossos velhos fazem tão bem. Uma praça tão singela, mas tão graciosa!

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Nesta praça não existem pipoqueiros ou sorveteiros. Não passa ninguém que venda biju. Não existem usuários de drogas, bêbados, e não existem pedintes, coisa que, convenhamos, é algo tão inconveniente!

Mas esta praça, bem cuidada pela subprefeitura, com áreas de sol e de sombra, não está abandonada. Todos os domingos, ela é frequentada por pais e seus filhos, humanos ou não. É uma praça de família.

Lá as crianças dão suas primeiras pedaladas. Eu presenciei já, por duas vezes, crianças aprenderem a andar sem as rodinhas. Que alegria! Presenciei lindas coisas ali. A avó joga gol a gol com o neto, o pai ensina a filha a colocar uma pipa, destas modernas, de pano, no ar. Cachorros correm ao lado dos pequenos donos, sem as coleiras, e pulam de alegria. Num banco, sentadas, duas crianças conversando distraídas. Uma delas com um controle remoto, o carrinho do lado, estacionado, menos interessante que o assunto.

Um yorkshire deitado próximo ao poste, onde já sabemos ser o centro da praça, acompanha com a linguinha de fora a corrida de um pega-pega entre o pai e um filho. Ele até ensaia correr junto, mas, tão relaxado, se deita ao sol.

Barulho? Estranhamente silenciosa. Tem sim uma empresa ali, acho que uma fábrica, mas parece que não faz barulho, nem durante a semana. Passam carros educadamente. Uma harley-davidson passa, o escapamento, propositalmente sem o miolo, atrapalha o ambiente com o ruído ensurdecedor. Mas em segundos, tudo volta ao normal, ninguém reclama. Tem gente que vai lá de carro, mas ninguém liga o som e abre o porta malas pra promover festas.

O sol ali esconde o frio e as árvores protegem do calor. Sempre está fresco.

A vida prossegue paralelamente à correria da avenida ali atrás. Video-games, televisão, rádio, a barulheira do dia-a-dia, parecem não ter tanta importância. As pessoas ficam ali, flanando, mas sempre juntas.

Ali é um espaço onde o tempo pára, para as famílias serem famílias. Pais serem irmãos, mãe serem amigas e avós serem crianças.

A praça não é ficção, eu não a inventei. Mas o endereço? Não dou. Eu mesmo passo ali com os cachorros rapidinho, só de expectador. É pra mim como um daqueles micro-habitats, tão frágil, tão belo, que é melhor deixar para aqueles pais e seus filhos tenham o tão sagrado silêncio que ali procuram.

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Categorias:Eu só quis dizer
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